top of page

Como o IBGE calcula a taxa de desemprego e outros índices sobre trabalho

Foto do escritor: Alexandre QuevedoAlexandre Quevedo

Sabe como se calcula a taxa de desemprego? O que são os desalentados na busca por trabalho? Qual é a diferença entre a taxa de participação na força de trabalho e o nível de ocupação? Venha comigo que vou te explicar todos os principais indicadores de emprego que o IBGE usa. A partir de hoje, você não vai mais ter dúvidas quando ler uma notícia sobre isso.


Estrutura do mercado de trabalho IBGE

Essa tabela acima nos mostra como o IBGE classifica a população de mais 14 anos de idade de acordo com a sua atividade. O IBGE divide a população maior de 14 anos em dois grandes grupos, pessoas na força de trabalho e pessoas fora da força de trabalho. Quando vi pela primeira vez essa tabela me veio uma pergunta imediatamente, por que pessoas acima de 14 anos?



Por que o IBGE considera pessoas acima de 14 anos de idade na sua conta de força de trabalho?


Isso acontece por que no Brasil, apesar de a idade mínima permitida para o trabalho ser de 16 anos, O artigo 428 da CLT permite que adolescentes a partir de 14 anos trabalhem como aprendizes. Tem algumas regras para que o adolescente possa ser empregado:

  • O aprendiz deve estar matriculado em um programa de aprendizagem formal que combine trabalho prático e formação teórica.

  • O programa deve ter duração máxima de dois anos.

  • O aprendiz tem uma jornada reduzida de, no máximo, 6 horas diárias.

  • O aprendiz não pode trabalhar em período noturno (entre 22h e 5h).


Então aquela tabela lá de cima poderia ser mostrada dessa forma aqui de baixo para enxergarmos toda a população brasileira e onde está a força de trabalho em cada classificação:


IBGE _ Classificações do mercado de trabalho


Pessoas dentro da força de trabalho


As pessoas que estão dentro da força de trabalho no Brasil são aquelas ocupadas ou desocupadas. O IBGE considera ocupada aquela pessoa que trabalhou pelo menos uma hora durante o período estipulado pela entrevista (esse trabalho deve ser remunerado ou para ajudar no negócio de um membro da família) ou, ainda, as pessoas que tem trabalho remunerado, mas estão temporariamente afastadas. os desocupados são aqueles que não estão trabalhando no momento e estão buscando uma oportunidade de trabalho, por exemplo, pessoas que entregaram currículo em empresas ou se cadastraram em agências de emprego. O IBGE também considera as pessoas que não estão mais buscando um trabalho, pois já encontraram e ainda vão começar a trabalhar.



Ocupação não é necessariamente emprego formal


É importante deixar claro que, de acordo com o IBGE, qualquer pessoa que tenha trabalhado pelo menos uma hora durante o período estipulado pela entrevista do PNAD Contínua já pode ser considerada ocupada. A metodologia separa os ocupados que trabalham plenamente as 40 horas semanais e os subocupados, que não trabalham o número de horas suficientes.


A população ocupada, então, se refere a:

  • empregados (do setor público ou privado, com ou sem carteira de trabalho assinada, ou estatutários),

  • trabalhadores por conta própria,

  • empregadores,

  • trabalhadores domésticos (com ou sem carteira de trabalho assinada), e

  • trabalhadores familiares auxiliares (pessoas que ajudam no trabalho de seus familiares sem remuneração).



Pessoas fora da força de trabalho


O restante da população com idade para trabalhar está, portanto, fora da força de trabalho. São pessoas que não estão trabalhando, mas também não estão procurando emprego ou não estão disponíveis para trabalhar (não têm condições de trabalhar por alguma razão).


Dentro desse grupo existem aqueles que realmente não querem e/ou não precisam trabalhar, é o caso dos aposentados que já têm renda suficiente para viver, jovens que estão estudando e não precisam trabalhar, donas de casa que não querem trabalhar fora. Porém, há pessoas que estão fora da força de trabalho, mas que gostariam de trabalhar. É o caso de pessoas que querem um trabalho, mas não tem condições de trabalhar no momento, por isso elas não estão procurando agora. Há também aqueles que desistiram de procurar trabalho porque simplesmente não conseguem encontrara de jeito nenhum, ficaram tanto tempo tempo tentando que simplesmente desistiram. Normalmente são jovens sem experiência, idosos também tendem a sofrer com isso, ou ainda pessoas que não encontraram trabalho na sua localidade – vale ressaltar que, se tivessem conseguido trabalho, elas estariam disponíveis para assumir a vaga. É a chamada população desalentada.



Força de trabalho potencial


De acordo com o IBGE, são todos aqueles que não estão na força de trabalho, mas possuem um potencial para serem integradas a esta força. São os desalentados e as pessoas indisponíveis para trabalhar no momento em que foi entrevistas.



O que são pessoas desalentadas


São aquelas pessoas que desanimaram de procurar um trabalho. Este depoimento retrata muito bem a situação de uma pessoa desalentada (reportagem da agencia IBGE de notícias - link).


"Colocava currículo para trabalhar em lojas, shoppings, em vagas de caixa, telemarketing, e não era chamada. Acredito que tenha sido pela falta de experiência, já que eu trabalhei apenas em uma empresa, como jovem aprendiz”, Essa pessoa, de acordo com a reportagem, procurou novas oportunidades, sem êxito, durante três anos e desistiu da busca há dez meses.



Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas


São pessoas ocupadas, ou seja, que estão trabalhando, mas que têm uma jornada de trabalho menor do que 40 horas semanais, o ponto principal aqui é elas gostariam de trabalhar mais horas e estão disponíveis para trabalhar.



 

PRINCIPAIS INDICADORES DE EMPREGO DO IBGE

 


Taxa de desemprego


O IBGE divulga esse dado em sua pesquisa chamada PNAD Contínua, ela mostra quantos desempregados há no Brasil. O que é conhecido popularmente como “desemprego” aparece no conceito de “desocupação”. É a mesma coisa na prática.


Como mostra a tabela abaixo, a taxa de desemprego ou de desocupação é o percentual de pessoas desocupadas (bloco vermelho) em relação às pessoas na força de trabalho (bloco verde):

taxa de desemprego

Ainda sobre a taxa de desemprego, é importante dizer que essa metodologia é usada pela OIT (Organização internacional do Trabalho), agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para promoção da justiça social e do trabalho descente. A padronização é fundamental para que se possa comparar dados de desemprego entre países.



Beneficiários nos programas sociais e a taxa de desemprego

Os benefício de programas sociais, como por exemplo: bolsa família, benefício de prestação continuada (BPC), seguro desemprego etc, podem ser disponibilizados para pessoas ocupadas, desocupadas ou fora da força de trabalho. Pode, muito bem, acontecer de beneficiários do programa seguro desemprego estarem trabalhando na informalidade (por exemplo, trabalhando como motorista de aplicativo ou no comércio ambulante), e dessa forma vão ser classificados como “ocupados”. Assim como pode ser que um beneficiário do programa bolsa família esteja trabalhando e, mesmo assim, a sua renda familiar ser tão baixa que ele tem o direito ao programa. Isso quer dizer que o IBGE não exclui e nem incluí beneficiários de programas sociais da conta de desemprego pelo simples fato de serem beneficiados, cada pessoa que recebe um benefício será classificada de acordo com a sua situação em relação ao mercado de trabalho.



Taxa de participação na força de trabalho


Percentual de pessoas que estão na força de trabalho em relação ao total das pessoas em idade de trabalhar ( > 14 anos de idade).


taxa-de-participação-na -força-de-trabalho

Nível de ocupação


Percentual de pessoas ocupadas em relação ao total de pessoas em idade de trabalhar ( > 14 anos de idade).


nível-de-ocupação

Nível de desocupação


Percentual de pessoas desocupadas em relação ao total de pessoas em idade de trabalhar ( > 14 anos de idade). Repare que esse indicador é diferente da taxa de desemprego, os dois índices tratam das pessoas que estão buscando um trabalho no momento que a pesquisa foi feita, mas o nível de desocupação mede o percentual dessas pessoas em relação ao total das pessoas em idade para trabalhar e não somente sobre a força de trabalho. A perspectiva do "nível de desocupação" também leva em consideração também as pessoas que estão a força de trabalho.


Nível-de-desocupação

Taxa de subutilização da força de trabalho


A taxa de subutilização é o total da força de trabalho que nós enquanto sociedade não estamos aproveitando. São pessoas que têm potencial para trabalhar, mas não estão trabalhando ou, pelo menos, não 100% das horas que gostariam. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda que essa medida englobe os "desocupados", os subocupados por insuficiência de horas e aquelas pessoas que estão na força de trabalho potencial.


Esse indicador é calculado em relação à força de trabalho ampliada, que são todas as pessoas que estão na força de trabalho (ocupadas e desocupadas) somadas a com a força de trabalho potencial. A tabela abaixo nos ajuda em entender melhor:


subutilização-da-força-de-trabalho



 

Fontes de dados usados nesse artigo:


Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating
bottom of page